Capítulo 50

18 De Março 1990



- Ai… Eu acerto sempre. Há 10 anos, quando soube que vocês iam sair naquela noite para jantar, notei logo que se ia estabelecer uma relação amorosa. Tinha quase a certeza! E agora… estás prestes a casar com ele, Melody!
Emily olhava incansavelmente para o vestido de noiva branquíssimo que envolvia o elegante corpo da mãe, que se encontrava em frente ao espelho, com uma cara nervosa.
- Como é que estou? Exagerei na pintura? E no cabelo? E a grinalda? Fica-me bem? Eu sabia que não a devia ter comprado, apenas serve para arrepelar o cabelo.



- Melody… - Interrompeu Emily com uma ligeira gargalhada, levantando-se da poltrona que se encontrava no quarto da mãe. – Tu estás linda! Pareces uma princesa!
- Achas?
- Tenho a certeza! O George vai ficar de boca aberta quando vir a sua futura esposa a desfilar pelo altar.



Quando finalmente se descolou do espelho, a mãe começou a calcorrear o quarto para trás e para diante, parecendo que as solas dos seus sapatos de salto alto se gastavam consoante os passos. Emily seguia-a com o olhar, sentando-se novamente na poltrona com o olhar semicerrado de impaciência.



- Melody… - Chamou Emily, mas a mãe parecia nem a ouvir… - Melody… Melody! MELODY!
Ao último chamamento, a mãe parou num sobressalto, olhando com os olhos arregalados para Emily, que começava a ficar enervada com tanta ansiedade por parte da mãe.
- Descontrai! Lembra-te dos exercícios anti-ansiedade que te ensinei… Inspirar… - Emily inspirou profundamente, o peito a inchar progressivamente. – Expirar… - Expirou descontraidamente.



- Emily, isso não resulta! Já é a enésima vez que tento fazer esse teu exercício e ainda faz com que eu fique ainda mais ansiosa!



Nesse instante, o indiscreto som da buzina de um carro entrou pela janela, fazendo a mãe pular de susto e medo.
- Ai… o carro chegou! Ai meu Deus… Emily!
- Descontrai, rapariga! Vá, eu levanto-te o vestido por trás para não arrastar…
E com isto, Emily pôs-se atrás da mãe, segurando o traseiro do vestido.
Trespassei a parede do segundo andar, flutuando até junto do carro que dentro do qual se encontrava um elegante motorista que buzinava com uma cara cansada.
A mãe e a Emily saíram de casa e detiveram-se sobre os acolchoados bancos do carro envoltos de cabedal macio e espesso.
Embora eu não passasse de um fantasma, conseguia sentir tudo o que estava à minha volta, cheirar os agradáveis odores da natureza… tudo. Apenas não conseguia agarrar e abraçar a minha mãe, envolta daquele lindíssimo vestido. As saudades que eu sentia dela eram distintamente profundas naquele momento. Sentia uma enorme vontade de a abraçar, de a acariciar. Saudade que eu nunca pensava sentir de uma pessoa que nunca tinha conhecido.
Mal a mãe entrou no luxuoso carro, o motorista deu-lhe as perfunctórias congratulações pelo noivado. Por sua vez, a mãe acenou com a cabeça, desenhando um recto e forçado sorriso.
Entrei de rompante no carro, no intuito de ouvir a conversa entre a mãe e a Emily, contudo, o silêncio pareceu derrotar o meu desejo, pelas poucas ou mesmo nulas palavras que diziam uma à outra.
A viagem foi um pouco longa, embora confortável pela sumptuosidade que aquele carro dispunha aos seus passageiros. Quando avistei a Igreja dos Três Bispos, apercebi-me logo que tinha chegado, pois sabia que os meus pais se iam casar naquele lugar.
A Igreja fez-me pensar no meu pai, que, naquele momento, no presente, devia estar com o coração nas mãos por eu ainda não ter chegado a casa, pelo que fez com que o desespero, outrora adormecido, começasse a apertar-me o coração, pela incógnita saída daquela dimensão, mas rapidamente esqueci aquele assunto, seguindo a mãe e a Emily para a entrada da Igreja, onde um homem com uma cara estranhamente familiar aguardava a noiva.
- Bem… aqui está o padrinho de casamento. Bom dia, Arthur! – Exclamou Emily com a cara avermelhada de vergonha, entrando rapidamente na Igreja, as conversas alheias dos convidados a libertarem-se com a abertura da porta.



O homem, a quem chamavam Arthur, olhou para a mãe de alto a baixo, com os seus olhos verdes-água a reluzirem à suave luz matinal do sol.



- Estás linda, mana.
Linda!
- Obrigada…



Por breves instantes, mantive-me imóvel a observar a familiar cara daquele homem, que, pelos vistos, era irmão da minha mãe, meu tio. Mas deixei-me logo de especulações e entrei na Igreja, notando nas radicais diferenças.
Nada de pó, nada de estátuas a ladear o altar, nada de bancos degradados… Invés disso, um mármore branco e fumado constituía as paredes do altar. O tapete mais vermelho do que nunca, com arranjos de flores à entrada. No tecto, encontravam-se suaves e flexíveis lençóis brancos como a neve, que tremeluziam com o vento que entrava pelas janelas superiores.



O pai aguardava ansiosamente e mãe, junto do padre, com os seus olhos arregaladíssimos e o seu corpo estacado. O cabelo perfeitamente moldado para trás, o seu fato preto e branco, brilhando o branco à luz reflectida pelas janelas.



Todos os convidados se levantaram, com as suas vestes formais, olhando, com o pescoço visivelmente empertigado, com um enorme sorriso para a mãe, que fitava o seu “futuro” esposo. Arthur acompanhava a marcha da noiva, com um sorriso resplandecente desenhado na cara e com o seu cabelo negro e ondulado. Eu continuava a fixa-lo tentando-me recordar quem era, mas os pensamentos eram ténues, ao lado da ansiedade e do entusiasmo que tomavam conta de mim, ao ver o casamento dos meus próprios pais.



4 Response to "Capítulo 50"

  • diogo Says:

    QUE LINDO MESMO! Sempre as puses-te! Muito bem! =D! o que podera acontecer é quando ela for para a realidade estar apensa fora durante alguams horas comoacontece sempre ... !
    MAS ADOREI! COMEPLEAMENTEEEEEEEEEEEEE


  • Desi Says:

    Tããão Lindo!
    Adorei!
    Afinal aquele homem era tio dela....o.O'
    Que coisa...
    Fico á espera de ainda mais surpresas! =D


  • Mr.Lis Says:

    Adooooreiiii!
    A Noiva estava tão bonita =D


    Adorei!
    Parabéns!


  • mmoedinhas Says:

    EU SABIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! MUAHAHAHAHAHAHAHAHA Ainda tenho o meu sexto sentido (*aos pulos pela sala*)
    Ohhhhhhhh, o tio da melody também é giro. Adoro o nome! Arthur soa bem... xP
    A cara do pai da Melody. Todo babado... LOL
    Opá, adoro as fotos, o sims, o texto, está tudo maravilhoso.

    Fico à espera de mais!!!!!


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